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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A "dádiva"


Em tempos de “crise” voltamos com uma sugestão de leitura apropriada: “Ensaio sobre a dádiva” de Marcel Mauss. Aqui fica uma das conclusões do seu estudo etnográfico, em que vale a pena pensar:

“As sociedades progrediram na medida em que elas próprias, os seus subgrupos e, enfim, os seus indivíduos, souberam estabilizar as suas relações, dar, receber e, enfim, restituir. (…) Os povos, as classes, as famílias, os indivíduos, poderão enriquecer, mas não serão felizes senão quando souberem sentar-se como cavaleiros, à volta da riqueza comum.”

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Para pensar....



O que é a solidão? É característica da velhice....ou, embora tenha mais tendência a ocorrer nesta etapa, depende de fatores diferenciados? Há uma solidão "boa" e outra "má"?

sábado, 7 de julho de 2012

terça-feira, 1 de maio de 2012

"Janelar"

"A palavra janelar é daquelas que poucos conhecem e raros utilizam, mas significa algo que muitos praticam: passar a vida à janela.
(Eça de Queirós, por exemplo, usou-a em «O primo Basílio», assim escrevendo, referindo-se à seca criada Juliana: «…via companheiras divertir-se, vizinhar, janelar, bisbilhotar…».)
Eu confesso ser um de tantos janeleiros frustrados, a quem a impetuosa corrida das horas impede fruir tão vagaroso passatempo.
Talvez por isso sinto a janela como coisa aliciante, ora remanso ora agitação, copiosa bica de beber surpresas.
Através dela chegam até nós a alegria da luz e o conforto do calor, mas também acontece tocar-nos o cinzento triste de um dia de frio.
Tanto conseguimos escancará-la ao bulício, como com ela nos encerrarmos no silêncio.
Aberta, pode combater o egoísmo; fechada, consegue exacerbá-lo. Tem a magia de ser ponte para o mundo exterior ou transformar-se em muralha do nosso íntimo mundo.
A janela é, em suma, o fascínio de um exercício de contradições que se completam, mas se não deixam usar ao mesmo tempo.
Quinzenalmente é-me proporcionado assomar a este caixilho do canto da página, janela com vista para as realidades e para os sonhos. Hoje, no relance escrito, volto-me para o lado real.
Deixo que o olhar se espraie pelas marés de casario de tantas «cidades abertas», espreito a espuma feia de janelas, qual «voyeur» do insólito.
De repente, desta minha janela descortino uma outra, fechada, que me parece estranha.
Cesso a deambulação e ali me fixo.
Por detrás dos vidros uma senhora idosa, olhos cerrados, como quem dorme um sono tranquilo. Sinto que está assim há dias, imóvel, à janela. Descanso demasiado longo, mesmo para uma vida longa de cansaços.
E, de facto, não dorme esta velha senhora. Está morta!
Morreu assim, encostada à janela, onde foi consumindo as horas seguidas de dias sem sentido.
Como companhia só a solidão. Como estímulo apenas as imagens que entravam pela janela. Cada vez mais frouxas no olhar cada vez mais ténue. Até que se extinguiu…
Cá fora a vida continua, impávida, a pulsar, sem se dar conta da morte na janela.
Só passados dias, por acaso, alguém depara com o cadáver.
Aconteceu a semana passada, numa janela de Lisboa. Mas bem podia ter sido no Porto, em Coimbra, ou em qualquer outra das «cidades abertas». Tão fechadas sobre si próprias que nem se apercebem de tanta solidão que as olha de muitos parapeitos.
E foi assim, nesta busca breve, neste rápido relance, que descobri um novo significado da palavra janelar: esperar a morte à janela…"
Jorge Castilho
Nota: sugestão dada pela Docente Maria Pinto, do ISMT

domingo, 4 de março de 2012

" E por vezes as noites duram meses"

"E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos
(...)
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos"
David Mourão-Ferreira

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Envelhecimento: etapa ou processo?

O que é o Envelhecimento?
Corresponde a uma etapa de vida ou traduz-se num processo contínuo?

Helena Saldanha na obra "Bem viver para Bem Envelhecer: Um desafio à Gerontologia e à Geriatria" (2009, p.11) declara que “o organismo humano começa a envelhecer no momento em que os pulmões do bebé entram em contato com o oxigénio do ambiente”, ou no caso de mães fumadoras este processo decorre no próprio útero materno.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Como surgiu...

Aula de História Económica e Social. A Revolução Industrial. Retratos de injustica, condições miseráveis de vida e trabalho, a desvalorização do outro, a inutilidade de quem não é "ativo" e não gera lucro, uma vida sem sentido, um trabalho sem significado! Friamente emerge, uma vez mais, a crueldade do ser humano que escraviza e retira a dignidade do outro, impedindo-o de viver, muitas vezes até de sobreviver...
Foi neste contexto que divaguei... que me interroguei. O trabalho faz sentido ao ser humano? E a velhice? O que implica a reforma? Os reformados são "velhos"? O que é ser "velho"? É parar, retirar-se ou continuar a construir um percurso de vida?
Assim nasceu o desejo de aprofundar este tema e de abraçar uma dissertação de mestrado...
Semanalmente, numa vertente mais prática, serão publicados posts e a participação de cada um de vós é fundamental. Aceitam-se sugestões e reflexões!Sejam Bem Vindos!